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Protestos

Liderados pelo MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto), cerca de 800 pessoas promoveram uma manifestação em frente ao estádio Mané Garrincha, queimando pneus e interditando os arredores do palco da abertura da Copa das Confederações. O principal alvo do protesto era a Terracap (Companhia Imobiliária de Brasília), que vendeu lotes de terrenos públicos à iniciativa privada para financiar a construção nova arena da capital federal, que custou cerca de R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.
O protesto começou por volta das 10h desta sexta. De surpresa, os manifestantes tomaram a avenida Eixo Monumental e atearam fogo em pneus que bloquearam a pista em frente ao estádio. A fumaça preta logo despertou a atenção da polícia, que imediatamente fechou as rotas de acesso ao local para iniciar a negociação. 
O MTST pediu uma conversa com Antônio Carlos Lins, presidente da Terracap, onde apresentaria sua pauta de reivindicações. Entre outras coisas, a entidade pediu a construção de 150 mil moradias, a promessa de que o Mané Garrincha não será repassado à iniciativa privada e uma auditoria externa nas contas do estádio. 
Os manifestantes protestam contra o modelo de financiamento da obra. Sem acesso ao dinheiro disponível no BNDES, a Terracap se viu obrigada a vender terrenos no Distrito Federal para fazer caixa e poder bancar a construção do novo Mané Garrincha. Desde 2012, foram mais de 200 lotes vendidos, principalmente em cidades-satélites. 
"Sempre que o MTST ocupa um terreno a Terracap diz que não tem dinheiro para construir moradias, mas consegue construir o Mané Garrincha", disse Gabriel Elias, assessor da entidade que conversou com os jornalistas presentes. 
Após interrupção do tráfego na região, os manifestantes foram convencidos a dialogar com um representante do chefe da Casa Militar, o coronel Rogério Leão, e aceitaram uma proposta de marchar em direção ao Palácio do Buriti, sede do governo do Distrito Federal. Lá eles seriam atendidos pelo presidente da Terracap em uma audiência privada.
O MTST concordou, recolheu os pneus queimados e marchou para o Buriti, liberando novamente o trânsito na avenida. Na praça que fica em frente à sede do Governo do DF, os sem-teto encontraram companhia. No local, auxiliares e técnicos de enfermagem davam sequência à greve da categoria, que começou nesta semana. Com um caminhão de som, eles pediam, entre outras coisas, redução da carga horária semanal e equiparação com os salários dos enfermeiros. 
"Com a Copa, temos oportunidade de mostrar o que o governo está fazendo com a gente", disse João Cardoso, presidente do sindicato da categoria. "Governador, a gente não vai ceder. Se for preciso, vamos marchar até o Mané Garrincha", disse uma manifestante em cima do carro de som. O barulho, no entanto, não surtiu muito efeito, e uma hora depois a reunião começou a perder força. 
Neste sábado, no entanto, a abertura da Copa das Confederações pode ser marcada por mais confusões. Os líderes do MTST prometem impedir a entrada de torcedores para a partida da seleção brasileira contra o Japão, às 16h. O movimento quer chamar a atenção do público para o fato de que 1600 famílias estão sendo desalojadas nas cidades-satélites de Brasília.
"O nosso protesto é para que o dinheiro do povo vá de fato para o povo. A Copa não é para os brasileiros, uma minoria do povo assistirá. Nós da classe baixa não teremos acesso. Então a Copa definitivamente não será nossa", declarou Edenilson Paraná, líder do protesto e integrante do MTST.
A Polícia Militar prometeu que a manifestação de sábado será controlada. "O torcedor que vier terá total segurança no Mané Garrincha. A Polícia dará toda a segurança ao torcedor", informou o tenente-coronel  Júlio César.

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